Você já ouviu falar de psicoterapia neuroafirmativa? Nesse texto vamos compreender o que esse termo significa e como é na prática.
Primeiro vamos explicar o que é terapia afirmativa: ele representa um conjunto especial de conhecimentos psicológicos, com o objetivo de auxiliar o paciente a tornar-se mais autêntico por meio da consideração incondicional da sexualidade. Desta forma o psicoterapeuta pode contribuir para uma vida mais saudável, com autoaceitação e desenvolvimento de uma identidade LGBTQIA+ positiva. Porém, lembrando que o paciente LGBTQIA+ é um indivíduo, não podendo, portanto, ser compreendido exclusivamente pela sua sexualidade.
Assim, as práticas neuroafirmativas são, dito de maneira simples e direta, práticas afirmativas com neurodivergentes. Sendo que:
Neurotípico: é um termo que descreve um indivíduo que pensa e processa informações de um jeito “típico” para sua cultura.
Neurodivergente: aquele cujo funcionamento do seu cérebro difere do “típico”, tendo alterações neurológicas ou no seu neurodesenvolvimento, ou seja, fora do padrão esperado pela sociedade.
Alguns exemplos de neurodivergências podem incluir:
- Transtorno do Espectro Autista (TEA): Caracteriza-se por apresentar dificuldades na comunicação e interação social.
- Transtorno de deficit de atenção com hiperatividade (TDAH): Provoca sintomas como inquietude, desatenção e impulsividade.
- Dislexia: Apresenta dificuldade na aquisição e automatização de leitura e escrita.
- Dispraxia: Disfunção que compromete a capacidade de coordenação.
- Síndrome de Tourette: Quem é diagnosticado apresenta tiques múltiplos, podendo ser vocais ou motores.
Assim, uma psicoterapia neuroafirmativa é quanto ela é feita levando em consideração as neurodivergências e considerando isso como parte natural da diversidade humana e não algo a ser consertado. Isso porque cada pessoa neurodivergente é única e merece ser ouvida e compreendida. Em vez de ensinar a mascarar e camuflar, as práticas neuroafirmativas têm o objetivo de informar os indivíduos dessas diferenças e oferecer adaptação e suporte para suas necessidades.
Assim uma psicoterapia Neuroafirmativa involve sim:
- Compreender e respeitar os estilos de comunicação de cada neurodivergente.
- Compreender e acomodar as necessidades sensoriais individuais.
- Incentivar habilidades de escuta neurodivergentes em vez de neurotípicas.
- Auxiliar no desenvolvimento de habilidades de autodefesa e resolução de problemas.
- Reconhecer a necessidade de tempo de processamento e espaços seguros.
A terapia de afirmação da neurodiversidade não envolve:
- Promover o mascaramento (ou camuflagem) ou a perda da autonomia pessoal
- Eliminar comportamentos de estímulo ou estereotipias.
- Desenvolver metas que busquem “curar” de comportamentos neurodivergentes.
Assim, exemplos de práticas neuroafirmativas incluem:
Enfatizar pontos fortes: reconhecer os pontos fortes e talentos únicos que podem possuir, em vez de focar apenas nos desafios ou “déficits”.
Respeitar diferentes formas de pensar e se comportar: Compreender que podem pensar, aprender ou se comunicar de maneiras diferentes das consideradas “típicas” – mas que esses comportamentos ainda é válido.
Criar ambientes inclusivos: desenvolver ambientes, tanto na educação quanto no trabalho, que acomodem uma ampla gama de necessidades e preferências neurológicas, como sensibilidades sensoriais, estilos de comunicação ou métodos de interação social.
Afirmar a identidade: apoiar os indivíduos a abraçar sua neurodiversidade e defender seu direito de serem eles mesmos, sem pressão para se “conformarem” às expectativas neurotípicas.
Assim, a psicoterapia neuroafirmativa:
Representa um conjunto especial de conhecimentos psicológicos, com o objetivo de auxiliar o paciente a tornar-se mais autêntico, considerando cada pessoa neurodivergente como única, ensinando sobre suas diferenças em vez de ensinar a mascarar e camuflar quem é.
Não é uma questão de patologizar, mas sobre respeitar o jeito de cada um. Uma psicoterapia afirmativa e neuroafirmativa é sobre ter empatia e entender as dificuldades e desafios de cada um, com respeito e compreensão. Além de também promover inclusão, suporte e adaptações de acordo com o que cada pessoa precisa.

