O que é Função Executiva?
Função Executiva (FE) é um conjunto de habilidades que nos possibilitam de realizar ações necessárias para planejar e concluir as tarefas que nos são propostas ao longo da vida. Ou seja, precisamos dela sempre que precisamos fazer planos de ação e tomar decisões. Além disso, as FE também nos possibilitam de realizar mudanças rápidas e flexíveis quando estamos diante de novas exigências do nosso ambiente.
Subconjuntos da FE
As funções executivas podem ser divididas entre quatro subconjuntos:
1 – Volição: capacidade de estabelecer objetivos, para isso é necessária a motivação e consciência de si e do ambiente.
2 – Planejamento: capacidade de organizar e prever ações para atingir um objetivo. Requer capacidade para tomar decisões, desenvolver estratégias, estabelecer prioridades e controlar impulsos.
3 – Ação Intencional: É quando efetivamos um objetivo que planejamos. Para isso, é necessário que se inicie, mantenha, modifique ou interrompa um conjunto complexo de ações e atitudes de forma integrada e organizadamente.
4 – Desempenho Efetivo: capacidade de automonitorar, autodirigir e auto-regular a intensidade, o ritmo e outros aspectos qualitativos do comportamento e da ação, ou seja, é um controle funcional.
A importância das FE durante a vida
As FE são necessárias para a realização de tarefas diárias e convívio social adequado. Quando o desenvolvimento propício acontece durante a infância, proporciona a adequação e o melhor desempenho para iniciar, persistir e completar tarefas. Logo, desde criança ela nos possibilita identificar imprevistos, verificar sua importância e planejar o que fazer diante disso. Ou seja, elas refletem a capacidade de adaptação de alguém no seu ambiente.
Assim, é através delas que conseguimos organizar nosso pensamento: considerando nossas experiências, conhecimentos e expectativa do futuro, e com isso planejar e tomar decisões a curto e longo prazo.
Transtorno da FE: A disfunção executiva nos transtornos
O Transtorno da Função Executiva, ou Disfunção Executiva (DE), é a dificuldade de realizar tarefas cotidianas de maneira autônoma. Ela pode ser verificada em diversos transtornos, explicando certas características. Vamos ver como ela se apresenta em 3 Transtornos: Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Trantorno Obsessivo-Compulsivo (TOC):
- TDAH: Pessoas com TDAH podem ter falhas no seu controle de inibição, menor flexibilidade e dificuldade em delinear um planejamento. Está relacionado as tarefas do cotidiano que exigem concentração e esforço deliberado.
- TEA: No TEA, DE pode ter relação a maiores dificuldades envolvendo inibição de respostas, planejamento, atenção e flexibilidade. Ela poderia explicar, em parte, as dificuldades na interação social, na comunicação e o comportamento repetitivo característico do TEA.
- TOC: A DE poderia explicar o porquê do sujeito com TOC se mostrar ser incapaz de evitar as obsessões e compulsões, apesar de compreender que as mesmas são desadaptativas. Além disso, eles têm dificuldades na inibição de conteúdos específicos associados à natureza repetitiva das obsessões, mas não um déficit geral da função inibitória.
Assim, podemos verificar a importância das Funções Executivas na nossa vida diária e como a sua disfunção pode dificultar de planejar e concluir nossos objetivos.
Assim, identificando a DE e como ela se apresenta em cada indivíduo pode nos permitir melhor avaliar, tratar e dar o suporte necessário para cada um no que precisam — papel esse fundamental de uma boa psicoterapia com um psicólogo especializado.
Referências:
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